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Jovem À Rasca

O Blog: Se fosse comida era uma tosta mista, com fé de se tornar Francesinha. Se fosse desposto era xadrez, com fé de se tornar futebol. Se fosse bebida era água com gás, com fé de se tornar um mojito.

Jovem À Rasca

23
Jan18

A verdadeira capacidade humana mede-se no ginásio!

Jovem à Rasca

(Um post de meio em meio ano? A dominar no mundo dos blogs!)

Desde que acabei o curso aprendi que o desempregado tem exclusivamente duas obrigações na vida: Dizer que está à procura de emprego e ir ao ginásio!
Como tal, e como boa desempregada que sou, desde Outubro que ando no ginásio e não há maior prova de resiliência que essa. 

Na minha vida de enfermeira estagiária vi muita gente a lutar pela vida e pensei ter visto o auge da capacidade humana para vencer e ultrapassar as adversidades da vida.
No entanto, só depois de ter o canudo e explorar novos mundos é que percebi que a verdadeira capacidade humana mede-se no ginásio! Não estou só a falar do esforço de levantar mais um peso ou do auto-controlo para aguentar mais 10 segundos de prancha, isso só vem depois. O primeiro teste e o mais importante começa ainda antes de levantar a cabeça da almofada.

Hoje enquanto estava no carro a congratular-me por ter conseguido fazer o treino todo, vi uma senhora a chegar e a dizer à amiga "sabes, isto é preciso mesmo muita força de vontade" e é! 
Pôr o despertador na noite anterior é um espetáculo - "podemos pôr para as 9h sem problema porque já é uma boa hora para acordar". O problema é que depois o despertador toca mesmo às 9h, vá-se lá entender... E cabe-nos a nós, meros mortais indefesos, medir na balança da vida o que pesa mais: 1) ir ser torturado durante duas horas em máquinas que servem não só para nos dilacerar os músculos e esfrangalhar as articulações, mas também para nos esforricar a réstia de auto-estima que poderíamos ter mesmo parecendo um tomate oleoso vs 2) ser feliz e dormir.


Imagino que para os culturistas, atletas, ou perdoem-me a expressão, os "bichos do ginásio", esta balança esteja avariada, mas para os restantes colegas do mundo não está e portanto, quando todos os impulsos cerebrais são contra abrir os olhos é uma ação praticamente impossível pensar sequer em levantar.

A capacidade de auto-gestão é enorme, conseguir parar o lamento para termos uma conversa connosco mesmos e relembrar que às vezes o mais fácil de momento, não é o mais gratificante no futuro e que ser saudável requer algum esforço, mas nós somos fortes e conseguimos tudo se acreditarmos em nós próprios, não é fácil. Nem é fácil, nem resulta... Porém pensar que somos desempregados e estamos a desperdiçar 30 euros a pagar o ginásio, não é fácil, mas às vezes resulta.

A partir dessa hora de negociação, já são 10h, e lá conseguimos convencer o cérebro que só vamos treinar uma horinha, vai tudo passar rápido, depressa podemos comer a Francesinha que nos espera.

Uma vez no ginásio é tudo uma questão de nos ajustarmos e acima de tudo, ajustarmos o ginásio a nós próprios.
15 minutos de passadeira, são ajustados a 10 minutos e para não dizerem que não fazemos nada, somos capazes de no ultimo minuto aumentar 1 ponto da velocidade.
3x 15 repetições de cada máquina é ajustado a 3x 10 repetições e depois mais 5 para fazer as contas, mas no último já temos de reduzir para 3 quilos, porque não somos de ferro. Se já fizemos duas vezes pernas, a próxima máquina já não é preciso tanto empenho, portanto 5x chega.

Entre estes números e máquinas, desenvolvemos muito as nossas capacidades de cálculo mental, de chatinar e de amor próprio.


Dá-me vida ver os heróis de toalha ao ombro, costas suada, cara desanimada a dirigirem-se para a próxima máquina da tortura e depois ver a sua transformação para verdadeiros campeões que dão o suor, sangue e lágrimas por mais um levantamento de braços e que ao franzir o sobrolho de tal forma que fica com uma monocelha (qual Frida Kahlo), conseguem ganhar poder para mais 1 abdominal. É ARTE! Absoluta Arte (qual Frida Kahlo)!

No entretato a hora negociada para ir embora chega ou o nosso cérebro convece-nos que já somos saudáveis que chegue e os euros da mensalidade já não foram para o lixo. Nesta fase somos preenchidos pelo melhor sentimento do mundo. A todas as mães que dizem que pegar no seu bebé pela primeira vez é a melhor sensação de sempre, deixo uma pergunta: já alguma vez acabaram um treino no ginásio?

Pois bem, somos os escolhidos de Deus e a luz que nos ilumina enche-nos o coração e traduz-se numa sensação de dever cumprido que é o suficiente para valer a pena termos posto à prova a nossa força interior. Pelo menos até à manhã do treino seguinte...

Seja como for, todas as espécies têm o que se chama o instinto de sobrevivência em que quando a vida é ameaçada, demonstram uma capacidade sobrenatural para se manterem vivas. Os humanos têm o instinto de ginásio em que quando a vida se encaminha para ir ao treino, o ser adquire um conjunto de competências que visam responder a cada fase do ginásio.

É como vos digo, nestes tempos de enfermeira estagiária vi muito, mas foi no ginásio que vi a verdadeira raça do humano.

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