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Jovem À Rasca

O Blog: Se fosse comida era uma tosta mista, com fé de se tornar Francesinha. Se fosse desposto era xadrez, com fé de se tornar futebol. Se fosse bebida era água com gás, com fé de se tornar um mojito.

Jovem À Rasca

29
Jan18

Opinando sobre "O Boneco de Neve" - Jo Nesbo

Jovem à Rasca

Acabei de ler o policial "O boneco de Neve" de Jo Nesbo.

 

Eu não gosto lá muito de policiais porque geralmente os autores para incutir dúvida ao leitor criam muitas, MUITAS, personagens e a segunda razão: em duas páginas podem deitar tudo a perder com um final mirabolante para o leitor ser completamente apanhado de surpresa, nestes casos o ódio de ter dedicado as minhas horas para aquela traição é extremo e eu, defensora da paz do mundo, não gosto desse tipo de sentimentos.

Claro que sentir-me uma falhada por nunca adivinhar quem é o assassino também pode contribuir para essa minha opinião, a minha auto-estima não precisa de ser enxoalhada na leitura. 

O Boneco de Neve.jpg 

 

'Resumozissimo' do livro: Mulheres desaparecem e perto do local aparece um boneco de neve. O detetive Harry é um ex-alcoólico que ama alguém que não está disponível e como se não bastasse essa guerra, ainda recebe uma carta sobre "quem é o boneco de neve?". O serial killer continua a matar, os suspeitos são eliminados um a um e, no final, o que sobra é o único que nunca esteve na lista de interrogatórios.  

 

 

A este livro daria  de 5, mas com pena de não dar mais.

 

Duas estrelas perdem-se porque:

 Primeiro tem o defeito de ter 501 personagens, a minha marca de livro teve de ser um papel com todas as pessoas e mesmo assim a desmotivação de ter a sensação de não estar a perceber nada fez-me fechar o livro várias vezes.

 Segundo, ainda relativo às personagens, tinham tudo para ser interessantes, mas faltava aquele pormenor que me dava a familiaridade e compaixão que é necessário para criar a relação que eu gosto de ter. Quando leio um livro tenho de me envolver com as personagens, temos todos de ser amigos ou inimigos, mas sem dúvida tenho de ter alguma ligação e sentimento por eles. Neste caso não tive, nem com a personagem cómica (não havia), nem com o eterno sofredor solitário (Harry Hole - principal), nem com a recruta genial e fria (Katrine Bratt).

 

 As três estrelas ganham-se porque:

 Lá para o 3/4 do livro fiquei obcecada porque esteve no limbo entre reviravoltas interessantes com o demasiado mirabolante e quando um livro consegue ficar nesse auge, mas sempre do lado certeiro, cria em mim uma vontade de saber o fim que se sobrepõe a todas as outras necessidades básicas. Devia ser feito um estudo com a comparação de vezes que uma pessoa tem de comer, ir à casa de banho e dormir consoante o avanço nos livros.

 O mistério da história em si é estimulante- o Boneco de Neve usado como aviso/assinatura, a carta que o detetive recebe, a mistura de momentos da morte na primeira pessoa com os da investigação, o jogo psicológico entre psicopata-detetive (que podia ser mais), tudo isto torna o enredo sombrio, mas empolgante.

 Os pormenores próprios dos policiais que servem para dar pistas falsas ou verdadeiras ao leitor são muitas vezes demasiado forçados, porém neste livro são de uma genialidade incrível. O escritor consegue que no final todos façam sentido e isso é raro!
Geralmente ficam sempre pequeninas dúvidas irritantes no ar, que não têm efeito prático para o fim do enredo, mas que tiram o sono a uma pessoa- então porque é que estavam lá??? Resposta: porque o escritor quando os estava a escrever achou que iam dar um toque giríssimo, mas no fim, já estava em cima do prazo para entregar o livro ao editor e por isso esqueceu-se deles.
Muitos Parabéns Jo Nesbo por não te teres esquecido dos pormenores do teu próprio livro!

 

Dito isto, o meu conselho é que se não tiverem mais nada para ler, podem e devem ler este livro, mas usem um papelinho para se lembrarem de quem é quem.
Boa sorte com as primeiras 300 páginas e apertem o cinto nas últimas 150.
Mas LEIAM!

 

 

27
Jan18

Cantos e Recantos de um Portugal encantado!

Jovem à Rasca

Ontem fui mostrar ao meu corpo que quando a cabeça não tem juízo ele é que paga, mas também lhe mostramos que somos imbatíveis (quando a outra solução é ficar a dormir ao relento no meio de uma serra).

Eu e mais duas amigas, ex-amigas depois de ontem, fomos a Drave, a "Aldeia Mágica".
Se não forem Portugueses sadomasoquistas, com grande ânsia de serem espezinhados pela exaustão, certamente não sabem onde se localiza esta magnifica aldeia, esta Jovem à rasca explica-vos: quem sai do Porto e se perde uma vez, depois perde-se outra e quando acharem que está tudo bem, descobrem que se perderam a terceira vez, vão dar a Regoufe, uma aldeia em Arouca e seguindo o trilho PR14, chegam a Drave.

Embora o trilho em si comece em Regoufe, tirem a câmara fotográfica no início da viagem porque as estradas que serpenteiam a serra têm paisagens dignas de serem emolduradas. No entanto, neste carro, as viagens pelas montanhas são feitas a rezar para que não venha nenhum carro em sentido contrário e para que o carro não fuja pela ravina abaixo, logo não temos fotos dessa altura tão bonita e descontraída.

IMG_2517.JPG

Em cima podem ver Regoufe, na descida para a aldeia pode-se ver placas que nos aconselham a estacionar o carro e ir a pé pelas ruas da aldeia. Quem avisa teu amigo é e de facto é uma aldeia anti-carros (na verdade é anti-pessoas também porque ia-me dando o badagaio a percorre-la). 
A beleza do mundo rural é que entramos numa dimensão em que tudo é lindo, secalhar é porque pela primeira vez desvíamos o olhar de um ecrã e percebemos que o mundo é realmente soberbo e até a pedra no chão nos faz dizer "eina isto é magnífico" e de facto é. Depressa fomos cumprimentadas pela população que pelos meus cálculos devem ser umas 4 pessoas, mas todas nos falaram com a familiaridade e simpatia de quem vê um primo afastado. Na aldeia somos todos primos não somos? 

Para cada pessoa há 3 galinhas, 4 patos e 2 perus e 5 cães a passear pelas ruas, cumprimentados todos atravessamos a pontezinha que marca o início do trilho propriamente dito, embora a sinalização deste começa na capela de Regoufe.IMG_2556.JPG

No início fomos logo metidas em sentido. Uma subida acentuada em que o solo eram pedras, de maneira que não só tínhamos de usar o cérebro para pedir a Deus algum oxigénio, como também tínhamos de usar a nossa álgebra do 12º ano para calcular qual a pedra mais estável para por o pé. 

IMG_2551.JPG

 

 

Depois de um workshop de cabras que nos mostraram como andar naquele terreno, lá chegamos à segunda fase do percurso.IMG_2528.JPG

 

 

 

 

Nesta fase o trilho é a descer com direito a um piso mais seguro e fácil.
O único problema é controlar a respiração para que as fotos não fiquem todas tremidas. 

 

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 Na maioria dos blogs relativos a este trilho vão encontrar que "depressa conseguem ver a aldeia de Drave ao fundo. Neste blog da Verdade eu digo-vos: passado muitoooooo tempo, depois de uma curva à esquerda, conseguem avistar Drave lá bem ao fundinho!

Quando o virem andem mais e mais e mais e chegam à terceira fase do percurso, em que a largura da passagem diminui, o piso volta a ficar mais irregular, mas passável e entre murinhos e xistos vão chegar a Drave.


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Em Drave voltamos a ser crianças, o que foi uma péssima ideia, mas que só íamos perceber no caminho de volta. A energia, gasta a trepar às casas (desabitadas) e subir por caminhos duvidosos, ia ser precisa. 

Embora seja um trilho penoso de fazer no Verão, porque não há qualquer sombra durante todo o percurso, a pequena piscina natural criada ali dá vontade de voltar quando o sol estiver a queimar só para poder tomar banho naquele recanto. IMG_2768.JPG

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 O caminho de volta é o mesmo mas em nível II de dificuldade. O que antes era a descer, agora é a subir e o que era a subir era a descer, ou seja, a facilidade da segunda fase do percurso desapareceu e embora as paisagens sejam dignas de filmar o Senhor dos Anéis ali, iam ser precisos 6 filmes para que Frodo chegasse ao destino! A primeira/última fase, se o piso já era difícil a subir, imaginem a descer... as pedras podiam ser verdadeiras minas e se puséssemos o pé na errada, chegamos bem mais depressa ao fundo da ravina.

IMG_2877_LI.jpgIMG_2918 (2).JPGIMG_2885.JPG

 

 

 

 Acabado o trilho em si, não suspirem de alívio, as ruazinhas giríssimas de Regoufe, transformam-se no nosso pior pesadelo.

É TUDO A SUBIR!

A partir daqui acabaram-se as fotos, acabaram-se os sorrisos, acabou-se a diversão e acabou-se a diversão.
O café da vila deu-nos força para fazer a viagem de regresso a casa. O corpo foi recompensado com McDonalds.

 

Duração: demoramos 5h30
Facilidade: é perfeitamente possível, mas com queixas pelo caminho
Sinalização: o percurso é evidente
Notas: levar comida, água e é possível também levar cães.


Fomos derrotadas por Drave, mas completamente rendidas a Portugal.




23
Jan18

A verdadeira capacidade humana mede-se no ginásio!

Jovem à Rasca

(Um post de meio em meio ano? A dominar no mundo dos blogs!)

Desde que acabei o curso aprendi que o desempregado tem exclusivamente duas obrigações na vida: Dizer que está à procura de emprego e ir ao ginásio!
Como tal, e como boa desempregada que sou, desde Outubro que ando no ginásio e não há maior prova de resiliência que essa. 

Na minha vida de enfermeira estagiária vi muita gente a lutar pela vida e pensei ter visto o auge da capacidade humana para vencer e ultrapassar as adversidades da vida.
No entanto, só depois de ter o canudo e explorar novos mundos é que percebi que a verdadeira capacidade humana mede-se no ginásio! Não estou só a falar do esforço de levantar mais um peso ou do auto-controlo para aguentar mais 10 segundos de prancha, isso só vem depois. O primeiro teste e o mais importante começa ainda antes de levantar a cabeça da almofada.

Hoje enquanto estava no carro a congratular-me por ter conseguido fazer o treino todo, vi uma senhora a chegar e a dizer à amiga "sabes, isto é preciso mesmo muita força de vontade" e é! 
Pôr o despertador na noite anterior é um espetáculo - "podemos pôr para as 9h sem problema porque já é uma boa hora para acordar". O problema é que depois o despertador toca mesmo às 9h, vá-se lá entender... E cabe-nos a nós, meros mortais indefesos, medir na balança da vida o que pesa mais: 1) ir ser torturado durante duas horas em máquinas que servem não só para nos dilacerar os músculos e esfrangalhar as articulações, mas também para nos esforricar a réstia de auto-estima que poderíamos ter mesmo parecendo um tomate oleoso vs 2) ser feliz e dormir.


Imagino que para os culturistas, atletas, ou perdoem-me a expressão, os "bichos do ginásio", esta balança esteja avariada, mas para os restantes colegas do mundo não está e portanto, quando todos os impulsos cerebrais são contra abrir os olhos é uma ação praticamente impossível pensar sequer em levantar.

A capacidade de auto-gestão é enorme, conseguir parar o lamento para termos uma conversa connosco mesmos e relembrar que às vezes o mais fácil de momento, não é o mais gratificante no futuro e que ser saudável requer algum esforço, mas nós somos fortes e conseguimos tudo se acreditarmos em nós próprios, não é fácil. Nem é fácil, nem resulta... Porém pensar que somos desempregados e estamos a desperdiçar 30 euros a pagar o ginásio, não é fácil, mas às vezes resulta.

A partir dessa hora de negociação, já são 10h, e lá conseguimos convencer o cérebro que só vamos treinar uma horinha, vai tudo passar rápido, depressa podemos comer a Francesinha que nos espera.

Uma vez no ginásio é tudo uma questão de nos ajustarmos e acima de tudo, ajustarmos o ginásio a nós próprios.
15 minutos de passadeira, são ajustados a 10 minutos e para não dizerem que não fazemos nada, somos capazes de no ultimo minuto aumentar 1 ponto da velocidade.
3x 15 repetições de cada máquina é ajustado a 3x 10 repetições e depois mais 5 para fazer as contas, mas no último já temos de reduzir para 3 quilos, porque não somos de ferro. Se já fizemos duas vezes pernas, a próxima máquina já não é preciso tanto empenho, portanto 5x chega.

Entre estes números e máquinas, desenvolvemos muito as nossas capacidades de cálculo mental, de chatinar e de amor próprio.


Dá-me vida ver os heróis de toalha ao ombro, costas suada, cara desanimada a dirigirem-se para a próxima máquina da tortura e depois ver a sua transformação para verdadeiros campeões que dão o suor, sangue e lágrimas por mais um levantamento de braços e que ao franzir o sobrolho de tal forma que fica com uma monocelha (qual Frida Kahlo), conseguem ganhar poder para mais 1 abdominal. É ARTE! Absoluta Arte (qual Frida Kahlo)!

No entretato a hora negociada para ir embora chega ou o nosso cérebro convece-nos que já somos saudáveis que chegue e os euros da mensalidade já não foram para o lixo. Nesta fase somos preenchidos pelo melhor sentimento do mundo. A todas as mães que dizem que pegar no seu bebé pela primeira vez é a melhor sensação de sempre, deixo uma pergunta: já alguma vez acabaram um treino no ginásio?

Pois bem, somos os escolhidos de Deus e a luz que nos ilumina enche-nos o coração e traduz-se numa sensação de dever cumprido que é o suficiente para valer a pena termos posto à prova a nossa força interior. Pelo menos até à manhã do treino seguinte...

Seja como for, todas as espécies têm o que se chama o instinto de sobrevivência em que quando a vida é ameaçada, demonstram uma capacidade sobrenatural para se manterem vivas. Os humanos têm o instinto de ginásio em que quando a vida se encaminha para ir ao treino, o ser adquire um conjunto de competências que visam responder a cada fase do ginásio.

É como vos digo, nestes tempos de enfermeira estagiária vi muito, mas foi no ginásio que vi a verdadeira raça do humano.

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