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Jovem À Rasca

O Blog: Se fosse comida era uma tosta mista, com fé de se tornar Francesinha. Se fosse desposto era xadrez, com fé de se tornar futebol. Se fosse bebida era água com gás, com fé de se tornar um mojito.

Jovem À Rasca

20
Abr18

Anti-social + casa de estudantes = ?

Jovem à Rasca

Vou-vos contar uma história...

Era uma vez uma rapariga que ao longo dos seus 22 anos de vida desenvolveu bastantes competências para poder viver em sociedade. Desde as básicas - mijar dentro da sanita, mudar de roupa, tomar banho, até às mais especificas, como por exemplo não lamber a colher e depois voltar a por na panela ou não cortar as unhas na sala de estar. 

Mas houve uma que ela não conseguiu aprender: socializar! Opa nunca foi boa, já tentou várias vezes, mas tinha duas amigas, algumas primas e chegava-lhe para viver. Nunca se tinha dado conta do quão fundamental era conseguir ter uma conversa com alguém que não conhecesse muito bem. 

Se calhar muitos até se podem identificar com esta rapariga, eu posso, até porque ela sou Eu. 

A história começa quando ela teve a brilhante ideia de emigrar. Atenção que não foi um emigrar qualquer, não... se fosse, se calhar não havia história. Ela quis emigrar para a Holanda, mas antes tinha que passar 3 meses em Espanha, numa casa com mais 10 pessoas.

Apresento-vos os meus colegas de vida (ps- não vou usar os nomes verdadeiros, porque este blogue é altamente famoso e claramente vai chegar à Espanha e à Itália...): 3 espanholas, 1 espanhol, 4 italianos, 1 italiana e 1 português. 

 

Como é essencial que não haja negatividade nesta aventura, comecemos pelo melhor:

Espanhola Abraços, a distribuidora de abraços pelo grupo. Muito bem disposta, muito faladora e muito porreira. Nos inícios quando eu estava sozinha, era ela que vinha socorrer-me e dizer que se precisasse de alguma coisa era só dizer. Ri-se e sorri-me e é quem me faz sentir, por vezes, que não me estou a sair mal, que gostam de mim e que está tudo bem.

 

Espanhola Roja (têm de ler o 'roja' como espanhóis), tem cabelo vermelho. Atenção aqui - esta é o meu objetivo e noutro texto explicarei o porquê. Para já a única coisa importante a reter é que não me liga muito. Um pouco mais tímida que as outras, um pouco menos extrovertida, mas carente. Para criarem uma imagem, diria para pensarem, numa punk com um sorriso tímido. 

 

Espanhola Morena, é morena. Amiga da Abraços, são a dupla perfeita. Sempre prontas a vir ter comigo, esta já com não tantos sorrisos, nem tanto esforço (e ninguém a pode culpar...). Um sentido de humor mais negro, mas qualquer coisa que alguém precise, pode recorrer e recebe um sorriso.

 

Espanhol Pollo, está sempre a comer frango. Um rapaz muito, muito amoroso e risonho. Sempre que me vê, faz-me uma festa e tem sempre um "Márgáridá" para me gritar. 

 

Italiano Chef, o típico. Aquele que mexe as mãos italianas para te dizer que hoje está fresco. Muito simpático e prestável, mas tímido e fala pouco inglês, zero português, logo é difícil comunicar. Chef porque tem um curso de cozinha, portanto quando é ele que está de serviço, é um bom dia em termos culinários. 

 

Italiano Delicado, adquiriu o nome porque tem o corpo mais delicado que eu já vi. Pele castanho dourado, pelos dourados e poucos, mãos e dedos compridos e unhas perfeitas. Portanto o corpo perfeito que todas as mulheres querem... Um excelente rapaz, sempre pronto a ajudar e com um sorriso ou uma gargalhada para oferecer. 

 

Italiano Pai, é grande, é adultissimo. O chefe da casa praticamente. Mete-se comigo, mas não sei se é o inglês dele que o faz rude, ou se é simplesmente a maneira de ser. Tenta ser simpático (acho eu), mas às vezes a mensagem não é muito bem recebida.

 

Italiano Novo, o que chegou por último. Também simpático, mas o inglês é zero e torna impossível comunicar (não que adiantasse de muito...), mas muito sorridente, um pouco gozão, muito bem disposto e extrovertido.

 

Italiana Morna, e tem este nome porque apesar ela tente, não me dá nada, ou seja, é simpática e até é quem fala mais comigo, mas não me desperta interesse. Isso será aprofundado num dos próximos textos. Só é preciso que saibam que é muito simpática, fala inglês, mas não dá...

 

Português Tuga, há muitos outros nomes que lhe podia chamar, mas para ser simpática, ficamos-nos por este. Um tuga do Norte, muito extrovertido (com os outros), fala alto, quando entra numa sala, todos sabem que ele entrou e recusa-se a não ser ouvido. Está aqui para causar uma impressão, seja ela boa ou má. Mas só com os outros... 

 

Uma anti-social, 3 idiomas diferentes, ambiente estranho = receita perfeita para 3 meses de ansiedade social.

 

 Por hoje ficamos por aqui.

Se a história vai ter um final feliz?
Não sei, ainda só estou aqui há uma semana e 5 dias, mas posso-vos já adiantar que se disse no total 100 palavras já foi muito...

 

18
Abr18

Adeus, só no aeroporto.

Jovem à Rasca

Um aeroporto, um abraço, um adeus. Mãe, Pai, até à próxima que eu vou começar a minha vida.

 

Mãe, começo por ti porque a minha vida também começou contigo. Deste-me tudo, beijos, abraços, comida e casa. Deste-me amor e educação. Ensinaste-me a andar, mas vais ter de me deixar aprender a voar sozinha. Hoje parto para uma vida longe de ti, pela primeira vez não vais estar lá quando acordar, não me vais chamar para a mesa, nem me vais buscar a roupa suja ao quarto.
Querida mãe, daqui a uns minutos, vou ter de te largar a mãe e passar a segurança do aeroporto. E quando chegar lá ao fundo, já não te vou poder ver mais.
Mãe, abraça-me. Não quero ir. Proibi-me. Põe-me de castigo. Dá-me colo.
Mãe não me largues.
E a cada passo que dei, o meu coração tornou-se mais pequenino e não tinha ninguém para o amparar... Bem mãe, chegamos, dá-me o casaco.
E não, não vou olhar para trás quando estiver lá ao fundo, porque não me podes ver as lágrimas. Sei que também engoliste as tuas para eu não sofrer mais.
Adeus Mãe, vou voar e vou ser o que me ensinaste, para sempre.

Pai, aprendi contigo a esconder as lágrimas e a respirar fundo para controlar os sentimentos. É o que estou a fazer, consegues vê-lo?
Eu consigo ver que também o fazes. Consigo ver o teu medo de deixar partir a tua filhinha e a preocupação com a tua mulher.
Um verdadeiro homem de família.
Abraça-nos às duas. Faz-me uma das tuas festas.
Como é que é suposto perdermos o nosso herói? Os super-heróis estão sempre por perto nos filmes...
Não te olho muito, sei que ambos nos temos que concentrar para não perturbar a Mãe.
Mas o beijo que te dou, tem nele todos os segredos e medos do mundo. Disse-te que te amo nesse beijo. Guarda-o.
Guardarei para sempre o teu e sei que tinha nele todo o orgulho de um Pai.

 

Certamente que o pior ainda está para vir, mas o sentimento da fila para passar a segurança no aeroporto... o medo, a ansiedade, a incerteza, a tristeza, a saudade... Já passou uma semana, mas ainda carrego a dor de os ter deixado naquele aeroporto.

03
Abr18

Ponto final. Parágrafo. Novo capitulo.

Jovem à Rasca

Portugal não me quis e agora eu não quero Portugal. Vou emigrar.

Ponto final. Parágrafo. Novo capitulo.

 

Ando a evitar fazer este posto porque sinto que é de uma grade responsabilidade e quiçá poesia e por isso adorava começar com o típico "Hoje inicia uma nova jornada da minha vida e quero contar-vos tudo", mas não é possível.

A verdade é que o processo já começou à algum tempo.

Certo também que ainda estou em terras Lusas, mas como é óbvio o processo começa muito antes disso.

Primeiro a coragem de enviar o currículo. A troca de emails. As entrevistas. - Chamemos-lhe o Processo Burocrático, que não tem nada de interessante e zero de poesia.

O processo verdadeiro começou quando contei à minha família e a elas, quando vi lágrimas e quando as derramei nos braços de alguém. Imaginam o que é contar a uma avó que vamos para longe? Que já não vamos lá almoçar às terças e quintas? Como se diz a uma prima que já não passamos o Natal com ela? Como se encara uma mãe enquanto fazemos a mala? Como se diz às caloiras que não as vamos ver no Cortejo?

São estes processos que no final no dia nos inundam a almofada e são também eles que nos fazem perceber o que vamos perder.

Felizmente nunca tive dúvidas. Desde que a burocracia começou que me entusiasmei e soube que era uma oportunidade, depois de tantas frases feitas que nos diz que devemos aproveitar a vida, pronto aqui estava a minha chance, era pegar ou largar.

Peguei. Mas sei que tenho de largar muito.

Para já entretenho-me com a mala... Só queria deixar aqui a primeira bomba, para depois falar livremente sem ter de pensar em metáforas ou frases profundas.

Ponto final. Parágrafo. Novo capitulo.

15
Fev18

O Mau do tiroteiro

Jovem à Rasca

Qual é mesmo a diferença entre o idiota que vai de arma para a escola e mata 17 pessoas ou o bully que inferniza a vida ao mais pequeno?

Os humanos são maus e cada vez vão ser piores, porque desde sempre que a seleção natural atua nesse sentido. Tão simples como os povos que não faziam mal a ninguém eram queimados e os invasores cresciam nesse território. Ou os bonzinhos morriam à fome, os outros roubavam para comer.

De maneira que está na nossa condição genética sermos maus uns para os outros e a não ser que cada um tome a decisão contra-natura de não o ser, o nosso instinto animal vai tomar conta de nós. 

Agora a conclusão polémica e simplista: essa decisão tanto não é tomada pelo que comenta a foto do outro para lhe chamar gordo, como não é tomada pelo que se explode em plena estação de metro.

Qual o mais mau?
Um deles mata 20 pessoas, o outro destrói uma pessoa.
Um deles tem razões religiosas, outro está só a ser idiota.

 

Claro que a gravidade do resultado final é sempre tida em conta quando se trata de classificar a maldade, por isso é que quando o colega insulta o outro- "não gosta dele", mas quando há suicídio pelo meio, então "não percebo como as pessoas podem ser assim umas para as outras". Ou seja só és Mau se o fizeres com "qualidade" suficiente e se não matarmos, roubarmos ou abusarmos de ninguém então pronto, estamos safos.

 

Não sou a Madre Teresa de Calcutá nem o Nelson Mandela, mas não sou hipócrita em pensar que não contribuo diariamente para fazer do mundo um lugar mau. Dizer mal do turista que trava de repente para tirar uma foto (porra para o anormal), ou do funcionário que demora demasiado a trazer um café (é assim tão difícil trazer essa porcaria?), ou até da velhota que está a mostrar a barriga (tem algum jeito com aquela idade?), tudo isto é o que torna o mundo um lugar tóxico e verdadeiramente mau.
Se pudéssemos desejar alguma coisa? 98% deseja paz no mundo, mas mudar o que está ao nosso alcance? Nunca! Lamento, mas dar uma moeda a um pedinte, não apaga todos os comentários racistas ou invejosos.

 

Os humanos são maus. O mundo é mau.

Mas o pior é que também é hipócrita.

 

05
Fev18

Opinando sobre "O Homem de Giz"- C. J. Tudor

Jovem à Rasca

C. J. Tudor já deve estar farta de ser comparada ao Stephen King, por isso vamos por desta maneira: Esta escritora está para os thrillers, assim como a manteiga está para a torrada, a Beyonce está para a música, as batatas estam para a francesinha, como o Dalai Lama está para o Budismo.

 

Li este livro em menos de 48 horas. Uma leitura fácil que não empata, aliás logo na primeira página há o relato da cena chave para o resto da história.

Capa Homem de Giz.jpg

 

'Resumozíssimo" do livro: Um grupo de amigos (4 rapazes e 1 rapariga) há 30 anos, aceitaram a brincadeira do novo professor peculiar, onde usavam desenhos em giz para deixar recados uns aos outros. Começam a aparecer mensagens que nenhum deles escreveu, mas que os conduzem a um cadáver, bem conhecido. Passado 30 anos, quando os sobreviventes achavam que já tudo tinha acabado, o Eddie (personagem principal) recebe uma carta com o Homem de Giz e descobre que afinal o jogo ainda não terminou.


A este livro dou  de 5.

As 4 estrelas ganham-se porque:

 A escritora não perde tempo a empatar o enredo e em cada capitulo acontece sempre alguma coisa. Um dos problemas recorrentes dos thrillers é as descrições intermináveis para dar ao leitor mais material para se arrepiar e envolver, neste livro conseguimos entrar no enredo sem ter de ler 4 páginas da descrição da casa.

 O toque de terror (ao estilo de Stephen King) está presente nos pesadelos de Eddie e ainda que não faça o leitor desconfiar de ações sobrenaturais é o suficiente para nos deixar num ambiente assustador.

 O livro é contado em dois tempos, 1986 e 2016, que se vão alternando entre si, ou seja, há uma narração de um adolescente e posteriormente do adulto, faz com que o leitor consiga aproximar-se mais da personagem porque "a viu crescer".

 No meu caso adoro livros que envolvam crianças e ter um livro contado por uma, mas sem se tornar infantil é tão raro que ao encontrar um, facilmente me rendo. Foi o caso. Acrescentado o facto de mostrar que infância não é sinónimo de inocência e que até elas têm segredos que não podem/devem ser revelados...Perfeito!

 São tratados temas delicados que dão à história um clima mais pesado e real, como a religião/fanatismo, aborto, pedofilia (?), violência doméstica, doença mental.

 O enredo é interessante e não cai em voltas rebuscadas, mantém-se simples, mas imprevisível. O uso de homens de giz dá um toque curioso, que se afasta dos clichés torna tudo mais sombrio. 

 

Uma estrela perdeu-se porque:

 Faltava-lhe qualquer coisa para ser um livro ESPETACULAR. As personagens, apesar de interessantes, foram pouco exploradas no nível sentimental. Temos vislumbres do interior de cada uma, mas o facto de ser contado por um adolescente com medo de lidar com sentimentos (como todos), fez com que não pudéssemos entrar na bolha dos amigos. 

 O final ainda que seja imprevisível não me satisfez completamente. Não deixa nada em aberto e isso é ótimo, mas não senti o embate duro da realidade. (Não posso dizer mais nada em relação a isto sem desvendar o fim...)

 

Concluindo, é um excelente livro para quem gostar de um bom thriller/terror, mesmo que não seja o livro da minha vida, foram 48 horas em que fiquei completamente presa e isso é a melhor coisa que nos pode acontecer ao ler.
Divirtam-se!

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